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Durante gerações, a Humanidade expandiu-se cada vez mais profundamente pelas estrelas.
25 de Julho de 2956
Há datas que a História regista, e há datas que a História recorda.
O dia 25 de Julho de 2956 tornou-se ambas.
Durante gerações, a Humanidade expandiu-se cada vez mais profundamente pelas estrelas. Desde os primeiros Pontos de Salto descobertos por Nick Croshaw até ao estabelecimento do Império Unido da Terra (UEE), inúmeros pioneiros atravessaram a escuridão em busca de um futuro melhor. Construíram estações onde antes existia apenas o vazio, fundaram colónias em mundos distantes e defenderam a civilização contra as incursões Vanduul e inúmeras outras ameaças.
Contudo, à medida que o Império crescia, também cresciam a burocracia, a política e aqueles que procuravam decidir como cada cidadão deveria viver, trabalhar e voar.
Entre os milhões de habitantes do espaço da UEE existia um pequeno grupo de exploradores, mineiros, transportadores, engenheiros, soldados e sonhadores portugueses que acreditavam que as estrelas pertenciam a todos — não apenas aos governos, corporações ou aos mais poderosos.
Não tinham nenhum desejo de derrubar o Império.
Procuravam apenas a liberdade de escolher o seu próprio caminho.
Não estando ligados por contratos corporativos nem por ambições políticas, recusavam que outros decidissem para onde viajariam, o que descobririam ou como ajudariam aqueles que encontrassem pelo caminho. Abandonaram as correntes invisíveis das expectativas, mantendo apenas um princípio orientador:
Sem correntes nos pés. Apenas estrelas no olhar.
Foi assim que, a 25 de Julho de 2956, nasceu a Exploração Lusitana.
A jovem organização rapidamente conquistou reputação nos sistemas de Stanton e nas regiões vizinhas. As suas tripulações aceitaram missões de salvamento de elevado risco, escoltaram comboios de carga vulneráveis, recuperaram naves abandonadas, cartografaram locais esquecidos e aventuraram-se onde quer que a curiosidade os levasse.
À medida que a sua influência crescia, também aumentava a atenção que atraíam.
Rumores espalharam-se pelos canais da Advocacy e pelos gabinetes imperiais de que esta organização independente se recusava a alinhar com os interesses das grandes corporações ou das fações políticas. A sua crescente rede de aliados e o hábito de aparecerem sempre que alguém precisava de ajuda tornavam-nos difíceis de prever — e impossíveis de controlar.
Começaram também a circular histórias de que até a própria Imperator Laylani Addison, determinada a preservar a estabilidade do Império, teria ordenado investigações às atividades dos misteriosos capitães lusitanos. Fossem verdadeiras ou exageradas, pouco importava. Para muitos, a Exploração Lusitana tinha-se tornado um símbolo dos viajantes independentes que escolhiam viver para além das expectativas impostas pelos outros.
Em vez de confrontar o Império, escolheram outro caminho.
Para lá das congestionadas rotas comerciais de Stanton e da política da UEE, encontraram refúgio na fronteira.
Encontraram Nyx.
O sistema Nyx, centrado no mundo mineiro abandonado de Delamar e há muito conhecido como refúgio de pilotos independentes, prospetores, comerciantes e de todos os que desejavam viver longe dos holofotes, recebeu-os com plataformas de aterragem abertas e respeito cauteloso. A vida ali exigia resistência e determinação, e não estatuto social.
Foi em Nyx que a Exploração Lusitana encontrou verdadeiramente o seu lar.
Ali construíram amizades com mineiros em busca dos mais ricos filões de minério, salvadores de sucata que devolviam vida a destroços esquecidos, transportadores que arriscavam tudo para manter as linhas de abastecimento abertas, caçadores de recompensas em busca de justiça, médicos que respondiam a desesperados pedidos de socorro e exploradores sempre à procura do próximo horizonte por descobrir.
Juntos provaram que uma família não precisa de partilhar sangue — apenas propósito.
Desde as movimentadas zonas de aterragem de Area18 e Lorville, passando pelas nuvens de Orison, pelas paisagens geladas de microTech e pelas fronteiras sem lei para lá do espaço monitorizado, os membros da Exploração Lusitana tornaram-se conhecidos por uma promessa simples:
Nenhum piloto voa sozinho.
Acima de tudo, recordamos sempre porque deixámos o nosso lar pela primeira vez.
Cada novo recruta que se junta à Exploração Lusitana torna-se mais um capítulo desta história.
As nossas naves podem ser diferentes. As nossas profissões podem mudar.
Os sistemas que chamamos de casa podem evoluir à medida que a
Humanidade avança cada vez mais para o desconhecido. Mas os ideais sobre os quais esta organização foi fundada permanecem inalterados.
Manifesto da Exploração Lusitana
Ad Astra. Sempre Unidos.
Nós somos os herdeiros de uma tradição que sempre olhou para o horizonte sem medo.
Quando outros viam o fim do mundo, os nossos antepassados viam o começo de uma viagem. Atravessaram oceanos desconhecidos guiados apenas pela coragem, pela curiosidade e pela convicção de que o futuro pertence aos que ousam procurá-lo.
Séculos mais tarde, as estrelas tornaram-se o nosso oceano.
Numa Humanidade espalhada por inúmeros sistemas, rodeada por governos, corporações, interesses e fronteiras, escolhemos um caminho diferente. Não o caminho da submissão. Não o caminho do isolamento. Mas o caminho da liberdade responsável, da entreajuda e da descoberta.
A Exploração Lusitana nasceu a 25 de Julho de 2956 de uma ideia simples e poderosa:
As estrelas pertencem a todos.
Pertencem ao explorador em busca do desconhecido. Ao mineiro que arrisca tudo nas profundezas de um campo de asteroides. Ao transportador que mantém os sistemas ligados. Ao engenheiro que devolve vida ao impossível. Ao médico que responde a um sinal de emergência. Ao soldado que protege os que não se podem defender. Ao piloto que sonha ir mais longe.
Não somos definidos pela nossa profissão. Não somos definidos pela nossa riqueza. Não somos definidos pela nossa influência.
Somos definidos pelas nossas escolhas.
Escolhemos ajudar antes de ignorar. Escolhemos explorar antes de acomodar. Escolhemos unir antes de dividir. Escolhemos avançar quando outros recuam.
Acreditamos que a verdadeira força não nasce da autoridade, mas da confiança. Não nasce do controlo, mas da cooperação. Não nasce do poder, mas do carácter.
Por isso recusamos correntes, sejam elas impostas pela ambição, pelo medo ou pela conformidade.
A nossa lealdade pertence aos valores que nos fundaram:
Liberdade
Cada piloto deve ter o direito de traçar o seu próprio rumo e construir o seu próprio destino entre as estrelas.
Descoberta
O desconhecido não é algo a temer. É um convite para aprender, crescer e avançar.
Camaradagem
Nenhuma nave atravessa o vazio sozinha. Nenhum membro da Exploração Lusitana enfrenta o universo sem apoio.
Coragem
Aceitamos os riscos da fronteira porque sabemos que os maiores horizontes pertencem aos mais determinados.
Serviço
Respondemos a pedidos de ajuda sem perguntar quem os envia. Protegemos os vulneráveis. Estendemos a mão quando outros viram as costas.
União
Somos muitos caminhos, muitas histórias e muitas profissões. Tornamo-nos uma só família através do propósito que partilhamos.
De Stanton a Nyx. De Delamar às fronteiras mais remotas do espaço humano. Dos corredores movimentados das grandes cidades às regiões ainda por cartografar.
Levamos connosco a mesma promessa:
Nenhum piloto voa sozinho.
A cada novo membro, a nossa história cresce. A cada missão, os nossos valores são postos à prova. A cada salto, reafirmamos quem somos.
Não procuramos fama. Não procuramos poder. Não procuramos dominar.
Procuramos a próxima descoberta. A próxima aventura. O próximo horizonte.
Porque enquanto existirem estrelas por alcançar, existirá um lugar para a Exploração Lusitana.
E enquanto existir a Exploração Lusitana, permanecerá viva a crença que nos une:
Sem correntes nos pés. Apenas estrelas no olhar.
Ad Astra. Sempre Unidos.
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